Eu poderia iniciar esse texto elencando os mais diversos motivos disponíveis para enfatizar o quanto a Internet e os meios digitais vem revolucionando a vida das pessoas, mas se você decidiu ler esse post posso deduzir que você já sabe (ou pelo menos desconfia) disso!
O que talvez você não saiba é que a comercialização de produtos de vestuário e acessórios de moda pela web vem crescendo rápido em todo o mundo, em especial na Europa e Estados Unidos.
Em 2000 a inglesa Natalie Massenet, ex-editora das publicações de moda Tatler e Women’s Wear Daily, decidiu empreender e “colocou no ar” o Net-a-porter http://www.net-a-porter.com/, a primeira loja de roupas e acessórios de estilistas famosos como Stella McCartney, Jimmy Choo, Calvin Klein, Dolce & Gabbana, Marc Jacobs e DKNY.
A loja virtual que faz trocadilho com a expressão prêt-à-porter, cresceu rápido e tornou-se em pouco tempo a operação de e-commerce de produtos vestuário mais acessada do Reino Unido, atingindo em 2007 o faturamento de 55,2 milhões de libras. Atualmente com mais de um milhão de usuários cadastrados o Net-a-porter deve fechar 2009 com faturamento superior a 100 milhões de libras.
Segundo dados da Forrester, o comércio de produtos de vestuário está posicionado entre os três maiores setores em vendas na web e faturou cerca de 11 bilhões de euros na Europa no ano de 2008. Na França, as vendas de vestuário online já ultrapassaram até mesmo os setores de viagens e livros.
O e-commerce de produtos de vestuário no Brasil também está crescendo, no entanto vem esbarrando em alguns entraves que precisam ser superados. O problema a que me refiro reside basicamente no fato de que as empresas que fabricam produtos de vestuário em sua maioria só comercializam seus produtos em grades fechadas e em cores sortidas, ou seja, o e-lojista tem que comprar os produtos na grade planejada pela marca fornecedora, sem poder escolher as cores e sem garantia de reposição. Suponha que uma loja virtual compre uma bermuda de uma determinada referencia na seguinte grade de venda: (quantidade/tamanho) 1/36, 2/38, 3/40, 3/42, 2/44, 1/46, após a venda de todas as peças dos tamanhos 40 e 42 a grade estaria quebrada e não haveria como repor apenas os tamanhos vendidos desse produto. Em uma loja física esse também é um problema, mas em uma loja virtual ele fica bastante agravado pois nela não há um vendedor para tentar oferecer outro produto, além disso o e-consumidor pode com apenas um click chegar a outra loja virtual que tenha o mesmo produto no tamanho desejado. Se por um lado a Internet possibilita alcançar consumidores em qualquer parte do mundo, por outro perder uma venda em uma loja virtual é muito mais fácil do que em uma loja física.
Essa realidade coloca as marcas fornecedoras de vestuário e as lojas virtuais diante de um novo desafio: Os processos de fabricação e as políticas de comercialização utilizadas no mundo físico são adequados ao mundo virtual?